A normalização dos desvios “Ex”: Quando o errado parece certo Parte 2/3

Como evitar a normalização dos desvios “Ex”?

São apresentadas a seguir algumas ações que contribuem para evitar a ocorrência ou a continuidade da “normalização dos desvios Ex” e que devem ser seguidas para a elevação do nível de segurança dos equipamentos e instalações em áreas classificadas.

  1. Abordagem da segurança das instalações elétricas e mecânicas em atmosferas explosivas sob o ponto de vista do “ciclo total de vida” das instalações “Ex”

Existe a necessidade de focar a segurança em áreas classificadas não somente sob o ponto de vista “restrito” dos equipamentos elétricos “Ex” certificados, de acordo com os atuais regulamentos existentes no Brasil publicados pelo Inmetro, mas também na segurança destes equipamentos ao longo de todo o tempo em que permanecem instalados em áreas classificadas, sujeitas aos riscos de explosões.

O que pode ser verificado, na prática, é que muitos equipamentos “Ex”, mesmo sendo certificados, são indevidamente especificados, ou instalados ou mantidos ou inspecionados ou reparados, fazendo com que eles percam as características dos tipos proteção “Ex” e passem a representar uma fonte de ignição. Sob o enfoque da “normalização dos desvios Ex”, tais falhas de equipamentos ou instalações “Ex” passam a ser “aceitos” com o passar do tempo, em função de apresentarem consequências catastróficas imediatas.

Nestas situações, quando houver a presença de uma atmosfera explosiva ao redor destes equipamentos “Ex”, eles podem provocar uma explosão, mesmo tendo sido devidamente certificados, em função de falhas introduzidas pelos usuários dos equipamentos, as quais não são tratadas com a devida prioridade.

Fazendo-se uma analogia com uma corrente, composta pode diversos elos. A resistência de uma corrente depende do seu elo mais fraco. De forma similar, a segurança das instalações em atmosferas explosivas pode ser entendida como sendo a composição de diversos “elos”, os quais necessitam estar fortes para evitar a existência de uma fonte de ignição que possa provocar uma explosão. Como exemplos dos elos desta corrente podem ser citadas os serviços de classificação de áreas, especificação dos equipamentos “Ex”, montagem, inspeção, manutenção, reparos, recuperação, auditorias e gestão das instalações e dos equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação e de telecomunicações e mecânicos “Ex”.

Como pode ser entendido, o “elo” representado pelos equipamentos “Ex”, no qual estão incluídos os fabricantes, os laboratórios de ensaios e os organismos de certificação, representa somente um dos elos da corrente de segurança das instalações “Ex”. A simples posse dos certificados de conformidade dos equipamentos “Ex” instalados não é suficiente para garantir a segurança das instalações e das pessoas que nelas trabalham, apesar de ainda ser a preocupação básica de muitos usuários, empresas de seguros ou entidades responsáveis pelas auditorias e avaliação da conformidade de instalações em áreas classificadas. Cada um destes “elos” da “corrente de segurança Ex” somente pode ser considerado “fortes” caso os respectivos serviços forem executados por pessoas ou empresas de serviços devidamente competentes ou certificadas, evidenciando o conhecimento na aplicação dos requisitos normativos indicados nas respectivas normas técnicas brasileiras das séries ABNT NBR IEC 60079 e ABNT NBR ISO/IEC 80079.

Somente desta forma, contando com empresas e pessoas comprovadamente competentes, os usuários podem possuir uma confiança de que as instalações “Ex” estão seguras, no caso de um vazamento de substâncias inflamáveis ou combustíveis entrar em contato com equipamentos “Ex” elétricos, eletrônicos ou mecânicos, sem que haja o risco da ocorrência de uma explosão.

A abordagem de certificação com base no “ciclo total de vida” das instalações “Ex” reconhece este fato de que somente a “tradicional” certificação de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex” não é suficiente para garantir a segurança das instalações em atmosferas explosivas, das pessoas que nelas trabalham ou do meio ambiente, sendo que a “normalização dos desvios Ex” contribui para as falhas e desvios existentes em equipamentos e instalações permaneçam ocorrendo, apesar de estes desvios serem reconhecidamente existentes.

Sob o ponto de vista do ciclo total de vida das instalações elétricas, de instrumentação, de automação, de telecomunicação e mecânicas em atmosferas explosivas, os equipamentos “Ex” devem estar seguros durante todo o tempo em que permanecem instalados em áreas classificadas, ao longo de décadas, e não somente quando estes equipamentos saem das fábricas.

  1. Investir em qualificação, treinamento, reciclagem, competência e certificação das pessoas

Investir nas pessoas que executam ou supervisionam serviços em atmosferas explosivas, incluindo classificação de áreas, projeto, seleção de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”, inspeção, manutenção, reparo, revisão e recuperação de equipamentos elétricos e mecânicos e instalações “Ex” contribui para que não ocorra uma “normalização de desvios Ex”.

Isto se deve ao fato de que as pessoas sendo devidamente “competentes” em suas atividades e estando “cientes” dos requisitos normativos aplicáveis e com a devida “percepção do risco” de possibilidade de explosão catastrófica, atua no sentido de que os serviços sejam executados de forma adequada e que eventuais desvios ou falhas de equipamentos e instalações “Ex” sejam devidamente registrados em sistemas de manutenção.

De forma a evitar a “normalização de desvios Ex” deve ser requerida a devida qualificação, treinamento, experiência, conhecimento, competência e certificação de técnicos e engenheiros envolvidos com atividades em atmosferas explosivas, incluindo:

– Usuários de equipamentos e instalações de equipamentos elétricos, eletrônicos, de instrumentação, de telecomunicações ou mecânicos “Ex”;

– Executantes, supervisores, técnicos e engenheiros envolvidos com atividades de operação, segurança industrial, projeto, montagem, inspeção, manutenção, reparos e auditorias em áreas classificadas;

– Empresas de serviços de classificação de áreas, projeto, montagem, inspeção e manutenção de instalações elétricas e mecânicas “Ex”;

– Empresas de serviços de reparo, revisão e recuperação de equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação, de telecomunicações ou mecânicos “Ex”;

– Provedores de treinamentos “Ex”;

– Empresas de consultoria sobre equipamentos e instalações “Ex”;

– Organismos de certificação de competências pessoais “Ex”, de serviços “Ex” e de equipamentos “Ex”;

– Fabricantes de equipamentos elétricos, eletrônicos, de instrumentação, de automação ou de telecomunicações “Ex”;

– Fabricantes de equipamentos mecânicos “Ex”;

– Auditores de equipamentos e instalações elétricas e mecânicas “Ex”;

– Laboratórios de ensaios de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”;

– Representantes técnicos e comerciais de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”;

– Empresas de seguros de instalações industriais contendo áreas classificadas de gases inflamáveis ou poeiras combustíveis;

– Estudantes de cursos técnicos ou de nível superior nas áreas de eletricidade, eletrônica, instrumentação, automação, telecomunicações, mecânica, processo, química ou segurança industrial.

Para estas pessoas “Ex” e para as respectivas empresas de serviços “Ex” é necessário que sejam requeridas as devidas qualificação, experiências, conhecimentos, competências e certificação, incluindo para os serviços ou atividades de classificação de áreas, projeto, seleção de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”, inspeção, manutenção, reparo, revisão e recuperação de equipamentos elétricos e mecânicos e instalações “Ex” e auditorias de instalações em áreas classificadas contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis.

Na medida em que estas pessoas e empresas de serviços “Ex” tenham o devido conhecimento dos requisitos normativos das normas aplicáveis da série ABNT NBR IEC 60079, existe um menor risco de que haja uma “normalização de desvios Ex”, ou que estes desvios passem a ser “aceitos” com o passar do tempo, em função de não causarem uma catástrofe imediata.

Atualizado em 20 de julho de 2021 por Simone Vaiser

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