Cinase Goiânia: superação de expectativas

Primeira edição do ano do Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE) reuniu 450 participantes interessados em conhecimento técnico e em novos produtos e tecnologias.

Por Flávia Lima

 

A primeira edição de 2017 do tradicional evento técnico itinerante Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE) foi realizada na cidade de Goiânia (GO) e surpreendeu organizadores, patrocinadores e apoiadores pela forte presença do público – 450 pessoas, somente de congressistas – e pela expectativa de negócios gerada.

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Realizado nos dias 10 e 11 de maio, no Centro de Convenções de Goiânia, o CINASE ofereceu aos profissionais da região a oportunidade de conhecer mais sobre os temas de maior relevância no setor elétrico atual, como geração distribuída, redes inteligentes, novas normas e regulamentos para equipamentos de média e baixa tensão, incluindo iluminação Led, além de discutir outros assuntos importantes, como segurança do trabalho e atribuições e oportunidades do profissional da engenharia elétrica.

“O CINASE provou, mais uma vez, ser um importante instrumento para disseminação de informações técnicas relevantes através daqueles que mais entendem do assunto: os especialistas ativos na área, que participam diretamente da confecção e revisão das normas técnicas que entram em vigor todos os anos. E a exposição das empresas, que acontece paralelamente, agrega valor ao evento à medida que oferece para o participante a oportunidade de ver de perto produtos que já operam a partir da técnica e/ou da tecnologia apresentada no congresso”, avalia o diretor do evento, Adolfo Vaiser.

Mantendo o lema “Uma viagem pelo mundo das instalações elétricas”, o CINASE foi inaugurado com uma apresentação da Enel (que adquiriu recentemente a Companhia Energética de Goiás – Celg Distribuição), em que o especialista de inovação Weules Correia aproveitou a oportunidade para falar sobre as ações da companhia previstas para o Estado de Goiás e sobre tendências para o futuro do setor elétrico de maneira global. Para ele, a mobilidade elétrica é um caminho sem volta. “Hoje, a distribuidora de energia deve estar preparada para esse movimento que deve acontecer em um curto espaço de tempo. Um exemplo é a sinalização que tivemos da Alemanha, que, a partir de 2030, não terá mais a fabricação de veículos a combustão. Isso é uma sinalização bastante forte do que vai estar acontecendo em todo o mundo e é uma área relativamente nova do setor elétrico”, alertou.

Pensando nisso, a Enel já conta com um projeto, chamado de “Car Sharing”, que conta com 20 carros elétricos e 12 estações de recarga, na cidade de Fortaleza (CE). “Esse projeto nos permite entender quais impactos teremos e o que precisamos para gerir a rede elétrica do futuro que terá essa carga móvel”, avaliou.

O especialista tocou ainda em outro assunto em alta: smart grid. A Enel transformou a cidade de Búzios, no Rio de Janeiro, na primeira cidade inteligente do país. O projeto, que contou com investimentos da ordem de R$ 54 milhões, foi iniciado em 2011 e concluído no final de 2016, reunindo diversas tecnologias que priorizam inovação e sustentabilidade.

“É um grande laboratório de tecnologias do setor elétrico pensando no futuro”, definiu Correia. A cidade conta com medição inteligente com comunicação PLC, ligação remota, controle de potência. Ele explica que os clientes conseguem acompanhar pela internet seu consumo e informações sobre a energia injetada na rede. São 84 km de rede de fibra ótica, 55 veículos elétricos em circulação, 17 chaves automáticas na rede, 4 aerogeradores verticais de 2 kWp e oito plantas solares de 5 kWp cada. Ao todo, são 23 mil clientes beneficiados por estas ações.

Ele conta que a mesma automação utilizada em Búzios será empregada em toda a rede da concessionária. “Atualmente, são 4.500 equipamentos no Rio de Janeiro e Ceará, que também serão instalados em Goiás. A previsão é de que haja 6.300 chaves seccionadoras e religadores na rede de distribuição da Enel, o que deve propiciar redução de 40% no índice DEC e 50% do FEC. Uma redução bastante significativa, que não está apenas relacionada aos equipamentos, mas a todo o monitoramento da rede”, afirmou o especialista da Enel.

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Ainda no primeiro dia do evento, os congressistas assistiram às apresentações dos especialistas Marcelo Paulino, Cláudio Rancoleta, Nunziante Graziano, José Starosta e Jovanilson Freitas, que abordaram, respectivamente, operação e manutenção em subestações; transformadores e meio ambiente; painéis de média tensão; eficiência energética; e tendências na engenharia elétrica.

O presidente da ABEE-GO e vice-presidente do Crea Goiás, Jovanilson Freitas, em sua palestra, tocou em uma questão polêmica: as atribuições e as responsabilidades do engenheiro. Segundo ele, algumas décadas atrás, a engenharia não contava com tantas modalidades e, hoje, ela foi tão segmentada que provoca o “conflito de sombreamento”, ou seja, uma confusão sobre qual profissional pode exercer uma ou outra atribuição. Em função desse histórico, o engenheiro civil, por exemplo, acredita que pode atuar em áreas da engenharia elétrica por ter suprido essa demanda por muitos anos, quando não existia o engenheiro eletricista.

“Hoje, são outras visões, por isso, estamos tentando entrar em uma conformidade, onde apenas os profissionais qualificados possam atuar”, relatou. O engenheiro citou o caso da proteção contra descargas atmosféricas, o SPDA, que é feito por engenheiros civis por entenderem que podem atuar nessa área. “O engenheiro civil pode até ter o conhecimento, mas não é habilitado, assim como o engenheiro eletricista não pode se aventurar na parte de estrutura de um projeto, porque ele tem apenas o conhecimento básico; não pode fazer e, eventualmente, criar uma situação de risco”, analisou.

Freitas exemplifica a situação com um comparativo bastante didático: quem dirige carros e é habilitado na categoria B tem o conhecimento, mas não pode dirigir um caminhão, pois não é habilitado para isso. Para dirigir caminhões, é preciso estar habilitado na categoria D. Isso ocorre também entre engenheiros e arquitetos, os quais, inclusive, não fazem mais parte do CREA, tendo criado seu próprio conselho. “É uma briga jurídica”, conclui.

O segundo dia do congresso foi marcado por palestras técnicas envolvendo os seguintes temas: os impactos da nova norma para conjuntos de manobra e controle de baixa tensão; uma atualização a respeito da revisão da ABNT NBR 5410 (instalações BT); proteção contra descargas atmosféricas; certificação de lâmpadas e luminárias; e segurança do trabalho.

Intercalando as palestras principais, nos dois dias do congresso, os patrocinadores contaram com um espaço para falarem tecnicamente sobre suas tecnologias. A proposta foi arquitetada pensando em oferecer para os participantes o lado prático do conhecimento – assim, era possível ter uma ideia mais clara sobre as novidades das empresas e aproveitar os intervalos para tirar dúvidas nos estandes.

A exposição

Paralelamente ao congresso, o CINASE conta com uma área de exposição que chama a atenção do público e do patrocinador por apresentar uma única formatação de estande. Dessa maneira, nenhuma empresa se destaca mais do que a outra, deixando em evidência apenas os produtos levados por cada uma delas.

   

 

A edição de Goiânia foi uma das que mais atraíram os patrocinadores. Foram, ao total, 27 empresas que participaram do evento na forma de expositor: Abeel, AltoQi, Aplicaciones Tecnológicas, Balestro, BRVal, Chardon, Clamper, Embrastec, Flir, Gazquez, General Cable, Grupo A.Cabine, IFG, Kian Iluminação, KitFrame, Omicron, Phoenix Contact, Proauto, Rittal, SEL, Soprano, TAF, Tavrida Electric, Tecnowatt, Simon, Trael e Weg.

O sucesso do evento deveu-se ainda ao trabalho de divulgação feito anteriormente à sua realização. “As reuniões preliminares que fazemos com instituições importantes da região, nas cidades que receberão o CINASE, são fundamentais para a divulgação bem-feita do congresso, atraindo pessoas realmente qualificadas”, relata Adolfo Vaiser.

Na edição de Goiânia, o CINASE contou com o apoio das seguintes entidades: Abee-GO, distribuidora Brava, BRS, Canal E, Celg Distribuição, Crea-GO, Eco Energia, Eletro Transol, Enerwatt, Fox Engenharia, Krista, Mutua, Nathusa Transformadores, NobreakCia, Senge (Sindicato dos Engenheiros de Goiás), Sindcel (Sindicat da Indústria da Construção e GTD de Goiás), Sinduscon-GO (Sindicato da Construção) e Stonos.

 

A Rittal levou para o Cinase um container com os seus equipamentos para visitação.

 

Esta foi a 27ª etapa do Circuito Nacional do Setor Elétrico, que já passou por todo o Brasil levando conhecimento técnico para mais de 18 mil pessoas. A próxima cidade a receber o evento será Belém (PA), nos dias 2 e 3 de agosto. Em seguida será a vez de Vitória (ES), em 19 e 20 de outubro. Mais informações podem ser encontradas no site do Cinase.

 

 

 

 

Atualizado em 7 de junho de 2021 por Redação

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