Eficiência e eficácia de luminárias públicas – A questão do lm/W inicial

Dando sequência nesta série de artigos sobre o tema iluminação, iremos tratar da polêmica questão da eficácia de luminárias públicas que nos últimos anos vem sendo muito utilizada como principal critério de seleção de luminárias públicas em projetos, assim como está sendo a principal especificação técnica em editais para execução de obras e compra direta de equipamentos de iluminação pública com tecnologia LED. A eficácia das luminárias públicas é definida pela quantidade total de luz emitida, expressa em lumens (lm) pela potência elétrica expressa em Watts (W).

Teoricamente, quanto maior o lm/W, melhor seria a luminária e mais eficiente. Esta conclusão não somente é teórica, como é bastante perigoso avaliar somente este parâmetro. Frequentemente, o lm/W é visto como um índice qualitativo quando, na verdade, é a junção de dois parâmetros quantitativos em termos de quantidade de luz e potência. O que tem ocorrido é que para obter um maior lm/W, os equipamentos acabam se tornando mais simplificados em termos de tipos de LED, ópticas (lentes), equipamentos auxiliares e, consequentemente, fotometria, bem como demais componentes e acessórios para compensar a aplicação de técnicas utilizadas para obter uma eficácia inicial mais alta.

Outro ponto é que esta é a eficácia inicial e o que deveria estar sendo avaliada é a eficácia ao longo da vida, até o final da vida declarada e avaliada, buscando uma taxa de falhas mais baixa possível. Esta taxa de falha e os critérios de avaliação das falhas raramente são citados em termos de referência para projetos e em editais de aquisição de luminárias. O que realmente importa em uma especificação técnica? Em termos de eficácia, além do lm/W, devemos avaliar a distribuição fotométrica, índices máximos de ofuscamento e o atendimento dos índices luminotécnicos para cada projeto em termos de iluminância, luminância e suas respectivas uniformidades. Logo, a eficácia inicial não consegue definir qual o melhor produto para cada aplicação. Também devemos avaliar qual seria o melhor fator de depreciação dos lumens possível de se obter com uma boa relação custo benefício do produto e como comprovar este índice.

Devemos estudar a fundo o que realmente se torna eficiente nos dias de hoje, em termos de depreciação máxima do fluxo luminoso, taxa de falhas por depreciação dos lumens(B), falhas abruptas (C) e soma das duas falhas anteriores, que realmente deveria ser avaliada e estar descrita de forma clara para quem for projetar equipamentos com tecnologia LED. O custo de uma manutenção de uma luminária pública é muito maior que a diferença de preço de uma luminária com baixa taxa de falhas e uma com alta taxa de falhas. O custo de uma manutenção pode representar até 25% do custo de uma luminária LED. O custo de manutenção ao longo da vida útil da luminária pode ser o diferencial na rentabilidade de um projeto de PPP de iluminação pública.

E todos estes fatores não estão contemplados quando somente se avalia o lm/W. Qualidade de iluminação e eficiência energética em iluminação pública é muito mais que lumens por Watt. É um conceito que deve ser mais discutido em termos de projeto luminotécnico, conforto visual, engenharia financeira, refletindo o uso de especificações mais claras dos produtos que farão os projetos serem mais eficientes ao longo do tempo de sua utilização. O conceito de RBC/RCB nos projetos de eficiência energética está cada vez mais ultrapassado e deve ser gradativamente substituído por novos critérios que levem em conta o desempenho real do sistema e não somente a eficácia inicial

Atualizado em 31 de agosto de 2021 por Maria Elisa Vaiser

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