Extravagâncias coletivas

Edição 65 – Junho 2011
Por Carla Valéria C. Estremes Ricci

Que atire a primeira pedra quem nunca se rendeu a uma oferta de um site de compras coletivas. Se ainda não comprou, provavelmente já entrou em um dos 1.800 sites brasileiros especializados nos chamados cupons de desconto. O primeiro foi o Groupon, uma junção das palavras “grupo” e “cupom”, fundado por Andrew Mason nos Estados Unidos em novembro de 2008 e implantado no Brasil em 2010. Permanece líder de mercado, mas desde então, não parou de ser copiado. Depois do Grupon, foi criado o Peixe Urbano, em março de 2010, e o ClickOn, em maio de 2010. Estas três empresas concentram a imensa maioria dos negócios no Brasil, contando com uma estrutura de 300 a 650 funcionários, presentes em até 86 cidades.

 

Assim como o Google e o Facebook, foi uma ideia genial. Ativar uma oferta somente se o mínimo de cupons for vendido garante um ótimo negócio para todas as partes: para o cliente, que paga bem menos; para a empresa que fornece o produto ou serviço, que ganha no volume de vendas e atrai novos clientes; e para o site de compras coletivas, que ganha em geral 50% das vendas. A união faz a força! 

Mas o que realmente atrai o consumidor, além dos descontos obviamente? Acredito que seja a transformação de um “sonho de consumo” em oportunidade. Produtos e experiências que antes eram considerados extravagâncias passam a ser acessíveis pelo mecanismo de compra coletiva. E acabamos adquirindo serviços e produtos por puro deleite, sem peso na consciência, por serem “oportunidades imperdíveis”.

Eu, pessoalmente, já comprei vários cupons e recomendo. Claro que deve haver algum cuidado, afinal, muitas empresas estão apenas começando e nem todas estão estruturadas. Algumas dicas para consumidores impulsivos não se arrependerem depois:

  • Procure obter informações do estabelecimento que vende o produto/serviço – no site principal da empresa, e em sites de busca, procurando por possíveis reclamações ou problemas – antes de efetuar a compra do cupom;
  • Telefone para a empresa e tire todas as dúvidas sobre o regulamento da oferta, como prazo de validade, prazo de entrega, limitações, restrições, etc. Aproveite para avaliar o atendimento dos profissionais e a disponibilidade dos itens. Certa vez eu tentei ligar para agendar um serviço adquirido, mas o telefone só chamava. Descobri que as linhas estavam todas ocupadas, mas a impressão era a de que não havia ninguém na empresa para atender ao telefone.
  • Fique atento à página de pagamento da oferta, checando se opera em ambiente de navegação segura e possui certificados digitais de segurança;
  • Tente não se enganar com o alto valor de desconto de uma oferta, busque informações para ter certeza de que realmente vale a pena efetuar a compra;
  • Verifique a política de desistência da participação na compra coletiva.

E o setor elétrico? Será que algum dia vai fazer parte desta nova forma de comércio? O que poderia atrair o desejo do consumidor final? Luminárias e lâmpadas decorativas, projetos de cenários de iluminação, automação residencial, economizadores de energia, painéis de energia solar, duchas e chuveiros diferenciados, itens para quem está em busca de conforto e qualidade de vida? Vai depender da ousadia e coragem de testar e arriscar um novo negócio.

Quando o risco é pequeno, vale a pena tentar. Mas é preciso ter um produto que desperte uma necessidade latente, uma estrutura que atenda a um volume grande de vendas e, principalmente, pessoas bem treinadas. O atendimento ao cliente precisa ser tão rápido quanto a compra online, caso contrário, a venda será única.

Atualizado em 7 de junho de 2021 por Redação

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