GD solar fotovoltaica: muito além do setor elétrico

*por Rodrigo Sauaia, Ronaldo Koloszuk e Aldo Pereira

 

O papel estratégico da geração distribuída solar fotovoltaica (GDFV) vai muito além dos notáveis ganhos elétricos que a modalidade proporciona aos consumidores cativos. O avanço da GDFV traz liberdade de escolha, previsibilidade de gastos e protagonismo aos consumidores. Ela representa, na prática, uma potente locomotiva para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil, com geração de milhares de empregos e renda, atração de bilhões em novos investimentos privados, diversificação da matriz elétrica e agregando diversos benefícios sistêmicos para todos os consumidores e a sociedade brasileira.

A partir dos dados de investimentos realizados no segmento desde 2012 e levando em consideração os incrementos de arrecadação proporcionados pela GDFV aos governos federal, estaduais e municipais dos investimentos, novos empregos e renda trazidos ao País, estima-se que, para cada R$1 investido em sistemas solares fotovoltaicos de pequeno e médio portes, o setor devolve aos brasileiros mais de R$3 em ganhos elétricos, econômicos, sociais e ambientais.

A GDFV ajuda a aliviar a operação da matriz elétrica nacional, economizando água dos reservatórios das hidrelétricas e reduzindo o uso de termelétricas caras e poluentes. Tal cenário diminui a pressão pelo aumento de bandeiras tarifárias na conta de luz de todos os brasileiros e, com isso, garante economia mesmo aos cidadãos que nunca investiram em geração distribuída. Adicionalmente, contribui para postergar investimentos em novos projetos de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, diminui perdas elétricas do sistema, alivia as redes elétricas pelo “efeito vizinhança” e reduz as emissões de poluentes atmosféricos e gases de efeito estufa, entre diversos outros relevantes benefícios.

No início de 2020, a GDFV atingiu uma nova marca histórica de 2GW de potência operacional, espalhada em residências, comércios, indústrias, produtores rurais, prédios públicos e sistemas em pequenos terrenos. Com isso, a fonte solar fotovoltaica passou a representar 99,8% de todos os sistemas e 92,7% de toda a potência de geração distribuída do País, em um total de 191 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede e mais de R$11,9 bilhões em investimentos acumulados desde 2012, espalhados pelas cinco regiões nacionais.

Em número de sistemas fotovoltaicos instalados no Brasil, os consumidores residenciais estão no topo da lista, representando 72,61% do total. Em seguida, aparecem as empresas dos setores de comércio e serviços (17,94%), consumidores rurais (6,34%), indústrias (2,67%), poder público (0,40%) e outros tipos, como serviços públicos (0,04%) e iluminação pública (0,01%).

Embora a tecnologia fotovoltaica continue avançando ano após ano, o Brasil – detentor de um dos melhores recursos solares do planeta – permanece atrasado e com um mercado muito pequeno. Está aquém de países líderes no setor, como Austrália, China, EUA e Japão, que já ultrapassaram a marca de dois milhões de sistemas, bem como da Alemanha, Índia, Reino Unido e outros, que já superaram a marca de um milhão de conexões.

Todavia, há perspectiva de melhorar este quadro no País, dado que o Governo Federal e o Congresso Nacional sinalizaram que pretendem desenvolver com maior atenção a geração distribuída a partir do sol. As manifestações recentes do Presidente da República e das principais lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, demonstram que há um consenso suprapartidário sobre a importância estratégica da energia solar fotovoltaica para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil.

Com isso, as perspectivas para o setor são brilhantes para 2020. As projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) apontam para o atingimento de um total acumulado de mais de 250 mil empregos no Brasil desde 2012, distribuídos entre mais de 15 mil empresas de todos os elos produtivos do setor. Destes empregos, mais de 120 mil serão decorrentes das atividades econômicas do setor apenas em 2020. A maior parcela destes postos de trabalho deverá vir justamente das mais de 14 mil pequenas e médias empresas do segmento de GDFV, segmento este que será o destaque do ano.

Agora, o próximo passo é construir um marco legal transparente, estável, previsível e justo, que desfaça a insegurança jurídica que paira sobre o mercado e que reforce a confiança da sociedade em um futuro com mais liberdade, prosperidade e sustentabilidade para os consumidores e a população.

 


Rodrigo Sauaia é presidente executivo da Absolar.

Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da Absolar.

Aldo Pereira é CEO e fundador da Aldo Solar.

Atualizado em 29 de julho de 2021 por Simone Vaiser

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