Mercado brasileiro de linhas elétricas é maduro, mas precisa melhorar, dizem especialistas

Por definição normativa, linhas elétricas significam “conjunto constituído por um ou mais condutores incluindo toda infraestrutura de suporte, emendas, derivações, proteção mecânica, etc, destinados a transmitir energia elétrica ou sinais”. Sempre presentes nas instalações elétricas de baixa tensão, as linhas elétricas exercem papel fundamental para a perfeita condução de energia ou dados, contribuindo para a confiabilidade da instalação.

O engenheiro eletricista e especialista em instalações elétricas de baixa tensão, Paulo Barreto, compara as linhas elétricas de uma instalação às veias e artérias do corpo humano: “toda a energia elétrica consumida pelos equipamentos e toda comunicação existente em uma edificação transitam pelas linhas elétricas”.

Existem diversos tipos de linhas elétricas que podem ser adotados e eles estão descritos na tabela 33 da norma técnica ABNT NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Ao todo são 49 métodos de instalação de condutores (tipos de linhas) tabelados, nos quais o projetista deve procurar enquadrar as diversas linhas elétricas constantes do seu projeto em um desses métodos.

Barreto explica, no entanto, que não existe uma ou mais normas para tratar especificamente das linhas elétricas, já que o assunto é distribuído por condutores e condutos. Devem ser consideradas as diversas normas de condutores elétricos (fios e cabos com isolação de PVC, HEPR, XLPE, PE, etc.), as de condutos elétricos (eletrodutos de PVC, PEAD, aço, ou ainda de bandejas, eletrocalhas, leitos e perfilados) e as de barramento blindado. “A título de exemplo, e não se esgotando em si, as normas mais utilizadas são: NBR NM 247-3, NBR 7286, NBR 7285, NBR 13248, NBR 13418, NBR 13057, NBR 5624, NBR 15465, NBR IEC 61537, NBR IEC 61439-6, NBR 5431, NBR IEC 60670-1”, aponta.

 

O engenheiro da Temon Serviços, José Jorge Porto, chama a atenção para o fato de que a fabricação do elemento barramento blindado deve atender aos requisitos da IEC 61439-6: Conjuntos de Manobra e Comando de Baixa Tensão –Parte 6: Linhas Elétricas Pré-fabricadas (Barramento Blindado).

 

A ABNT NBR 5410, por ser a norma mais conhecida e utilizada nas instalações de baixa tensão, segue como uma referência para esses sistemas. Vale lembrar que a norma está em processo de revisão e é possível que surjam alterações, melhoramentos nas determinações relativas às linhas elétricas. Paulo Barreto, membro do comitê responsável pela revisão da norma, adianta que teremos novidades, mas sem grandes impactos. Segundo ele, podemos esperar algumas atualizações e melhorias de texto para facilitar o trabalho dos projetistas.

 

Pontos de atenção

 

Como qualquer parte de uma instalação elétrica, as linhas elétricas também demandam cuidados e atenção na hora de projetar, especificar e instalar. Na opinião de Paulo Barreto, levando-se em conta que um dos componentes de uma linha elétrica são os condutores dos diversos circuitos de uma instalação, os principais aspectos que norteiam a sua especificação são a proteção contra sobrecarga e contra curto-circuito, limites de queda de tensão e condições de influência externas (por exemplo, temperatura, presença de água, radiação solar, esforços mecânicos). “Já com relação à execução, devem ser observados os limites de taxa de ocupação para eletrodutos, o correto arranjo dos cabos para efeitos de equilíbrio de campos magnéticos, a adequada fixação para esforços eletrodinâmicos e redução de flecha (cabos aéreos), a integridade da isolação, a utilização ou não de cabos com cobertura, flexíveis ou não, entre outros”, orienta.

José Porto oferece alguns pontos que merecem atenção do profissional para que se cumpra a boa prática da engenharia, além do dimensionamento adequado:

• Juntas de dilatação;
• Pontos de fixação e suportação não permitindo esforços mecânicos sobre as conexões elétricas, inclusive em plug-in;
• Elementos com proteção passiva nas mudanças de ambientes, paredes e lajes, inclusive nos finais das linhas sobre transformadores e quadros;
• Quando de fabricação em alumínio com conexões e emendas em cobre, as partes de cobre devem ter boa cobertura com material condutor compatível com a eletronegatividade do alumínio.

 

O engenheiro Porto aconselha ainda que, antes da entrega ao cliente, a instalação deve ter os seguintes itens vistoriados:

• Torqueamento de todas conexões;
• Ensaios de rigidez dielétrica (tensão aplicada e resistência de isolamento);
• Ensaios termográficos;
• Limpeza, alinhamento e nivelamento;
• Medição de resistência de contato nos plug-ins.

 

Mercado brasileiro em crescimento

 

O mercado brasileiro de linhas elétricas está em pleno crescimento. Para o engenheiro Porto, o que falta é um olhar para o armazenamento em campo e para aplicações específicas. “É necessário sempre verificar o ambiente no tocante à umidade, à possibilidade de ser molhado, temperatura, vibração e agentes químicos, assim como atenção especial aos testes finais de aceitação”, avalia.

 

Paulo Barreto concorda que se trata de um mercado maduro e em crescimento. “Temos normas técnicas suficientes, certificações compulsórias (Inmetro) para fios e cabos de baixa tensão, boa oferta de fornecedores e conhecimento razoável dos profissionais sobre a utilização dos materiais envolvidos”, analisa.

No entanto, o especialista ressalta um aspecto importante, que pode levar especificadores e compradores de eletrodutos de aço a levar “gato por lebre”. “A história dos eletrodutos de aço leve, médio, semi leve, leve 1, entre outros adjetivos, nada mais indica do que eletrodutos fora de norma. São ações deliberadas de má fé para induzir o interessado ao erro. Tais eletrodutos possuem espessura muito menor do que a estabelecida por norma, tornando o produto mais barato, muito menos resistente e que pode afetar a integridade da isolação dos condutores no seu interior”, alerta.

 

Barreto avalia que “em função deste mercado em particular de eletrodutos de aço estar totalmente comprometido e em flagrante enquadramento nas práticas enganosas de comércio, já se faz tardia a certificação compulsória de eletrodutos de aço. Junto a qual já se poderia estender também a de eletrodutos plásticos, conforme a ABNT NBR 15465”, sugere.

A seguir, você pode conferir um guia de empresas fabricantes e distribuidores de linhas elétricas – e também de tomadas e interruptores. Observe que as tabelas trazem informações sobre produtos comercializados pelas companhias, mas também dados sobre certificações obtidas e serviços técnicos disponibilizados aos clientes. Confira.

 

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Atualizado em 13 de agosto de 2021 por Simone Vaiser

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