Mitigação dos problemas de qualidade da energia – Ações corretivas

Edição 110 – Março de 2015
Por José Starosta

Vencida a primeira etapa da identificação dos problemas da qualidade de energia, normalmente conduzida por levantamentos, vistorias e, fundamentalmente, por medições adequadas, cabem, em uma segunda etapa, as definições e especificações das ações corretivas aplicáveis. A questão desta especificação da solução pode considerar uma simples mudança no esquema de aterramento, a troca de algum transformador, painel ou ainda a mudança do ponto de alimentação da carga. Pode ainda considerar a instalação de um novo equipamento (ou conjunto de equipamentos), sua incorporação à instalação, esperando que venha contribuir para o aumento da confiabilidade de operação e com aumento da qualidade da energia de alimentação às cargas. Alguns cuidados devem ser tomados com relação ao possível aumento do consumo da energia, tornando a solução ineficiente ou não sustentável. O elenco de equipamentos e soluções é relativamente grande e a IEEE 1100 (“Power and Grounding Electronic Equipment”), publicada em 1999, em seu capítulo 7, procurou cobrir todas as possibilidades disponíveis à época com elaborado detalhamento. Desde então estes equipamentos vêm sendo modificados pela natural evolução tecnológica; outros foram ainda desenvolvidos, modificados e inventados, aumentando a gama de ofertas e soluções.

Este documento objetiva apresentar um apanhado dos equipamentos disponíveis e mais aplicados atualmente (além daqueles remanescentes listados no capitulo 7 da IEEE 1100). Sob inspiração da Figura 7-1 daquele documento também se propõe a aplicação do conceito de solução como “aplicável e indicada” (A), “parcialmente aplicável” (PA) ou “não aplicável” (NA). Há de se considerar que o uso de fontes alternativas, de contingência ou de substituição, como os geradores ou UPSs, apesar de serem especificados como soluções para problemas de qualidade de energia, são também e normalmente aplicados como soluções aos aspectos relacionados à continuidade de serviço e fornecimento de energia elétrica para as cargas de missão crítica como centro de dados, centros hospitalares e de saúde e outros. Em última análise, estas aplicações são também soluções para problemas de qualidade de energia (no caso, as interrupções e outros fenômenos como afundamentos de tensão), mas a abordagem técnica pode ser diferente notadamente em função dos investimentos associados aos projetos e custos das falhas operacionais. Os equipamentos possuem as mais variadas concepções, características construtivas, graus de eficiência, uso de energia, níveis de confiabilidade e mesmo de tecnologia embarcada. Há de se considerar ainda que a especificação dos dispositivos e equipamentos é, sobretudo, um problema de engenharia, cujo objetivo é o de inserir ações corretivas ou melhorias em instalações e sistemas elétricos com a necessária e clara especificação de componentes, além da revisão destes projetos das instalações onde os dispositivos serão inseridos. A tabela a seguir exibe os dispositivos e equipamentos pesquisados com o resumo de suas características, seguidos dos principais fenômenos de qualidade da energia com a proposta de adoção de classificação acima descrita. Ainda, propõe-se um vínculo destas propostas à classificação temporal de fenômenos definidas no modulo 8 do Prodist, da Aneel, considerando-se as variações de tensão de curta duração (VTCD) classificadas em momentâneas (entre 1 ciclo e 3 segundos) e temporárias (entre 3 segundos e 3 minutos) e na tabela classificadas como afundamentos e elevação de tensão.

Cuidados devem ser tomados não só na especificação da melhor solução, mas no claro entendimento do que cada equipamento tem por escopo, evitando assim o uso de “caixas pretas milagrosas” que promoveriam em um só equipamento o “uso eficiente de energia”, “redução das correntes harmônicas”, “aterramento das harmônicas”, “proteção contra surtos”, “melhoria da frequência” e uma série de outras barbaridades que ainda certamente será inventada, claro, tudo isso em uma caixa de 15 cm x 15 cm!

Agradecimentos pelas informações adicionais, revisão do texto e colaboração dos colegas: Luis Tossi, Luis Correa, Edward Miura e Luiz Takao.

Atualizado em 21 de julho de 2021 por Simone Vaiser

Política de Privacidade
When you visit our website, it may store information through your browser from specific services, usually in form of cookies. Here you can change your privacy preferences. Please note that blocking some types of cookies may impact your experience on our website and the services we offer.
O Setor Elétrico