O apagão do passado como exemplo para a luz do futuro

O Brasil inteiro acompanhou o sofrimento dos Amapaenses com a falta de energia elétrica no Estado, ao longo do mês de novembro. Foram 22 dias com restrições no fornecimento, sendo que nos primeiros 5, praticamente todo o Estado ficou no escuro. Apenas uma pequena região no Norte e outra no Sul tinha energia disponível. Nos demais dias, o fornecimento de energia elétrica foi realizado no sistema de rodízio.

Esta ocorrência no Amapá trouxe luz para um problema conhecido no setor elétrico, a confiabilidade dos sistemas. Muito foi debatido, devido a essa ocorrência, em relação à falta de uma infraestrutura de contingência para regiões atendidas por uma única linha e/ ou subestação.

Tal cenário não é apenas algo conhecido pelo setor elétrico, pois toda a sociedade já acompanhou uma situação parecida que ocorreu em 2003 na cidade de Florianópolis (SC), que ficou 55 horas totalmente no escuro. Nesta época, o fato também foi amplamente noticiado, tendo em vista a gravidade da situação.

Uma atividade de manutenção que estava sendo realizada na rede elétrica dentro da ponte Colombo Sales causou um incêndio, danificando os únicos cabos de alta tensão que alimentavam a ilha na ocasião, que estavam localizados próximo deste local.

Para reestabelecer o fornecimento de energia elétrica na ilha, foi instalado um circuito elétrico pendurado sob a ponte, que operou até 2008, quando foi inaugurada uma nova linha de transmissão construída em parte de modo subterrâneo e em outra parte submarino, interligando o continente ao sul da ilha.

Ainda com essa contingência, o sistema elétrico Catarinense não era considerado plenamente seguro e há alguns anos foi prevista a necessidade de instalação de outra linha de transmissão, também parte subterrânea e outra parte submarina, para interligar outra subestação do continente, agora com o norte da ilha.

Esta nova linha foi viabilizada em um leilão de transmissão realizado em 2018 e que neste momento está com toda a infraestrutura em fase de construção. Trata-se da construção de circuito duplo em 230 kV com uma rede de 13 km instalada de forma submarina e mais, aproximadamente, 4 km instalados de forma subterrânea na ilha.

Portanto, com mais essa obra, a capital Catarinense contará com três fontes de alimentação, trazendo mais segurança e confiabilidade ao fornecimento de energia.

Essas novas redes submarinas instaladas para alimentar Florianópolis adotam o mesmo conceito de contingência comumente empregado nos sistemas subterrâneos existentes em algumas cidades do Brasil.

Portanto, já existe muito conhecimento de como tornar um sistema elétrico seguro e confiável. As redes subterrâneas demonstram um excelente exemplo destas virtudes, não apenas devido às medidas de contingência, mas também pela sua maior segurança por conta do aspecto construtivo que a protege de interferências externas.

A situação crítica sofrida pelos Florianopolitanos   em   2003   serviu de aprendizado para a atenção das autoridades no que se refere ao fornecimento de energia da ilha. Espera-se que o ocorrido no  Amapá  também traga visibilidade para a importância de assegurar a confiabilidade dos sistemas elétricos em todo o País.

São em episódios críticos como esse ocorrido no Amapá é que percebemos a importância de valorizar a confiabilidade do sistema elétrico. E para isso, temos muito conhecimento e tecnologia capaz de colocar em prática esses conceitos. O momento é de arregaçar as mangas para colocar em caráter prioritário o bem- estar dos Brasileiros, com o provimento de energia elétrica segura e confiável.

Atualizado em 7 de junho de 2021 por Flávia Lima

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