O papel da energia solar no chamado “ESG”

*por Rodrigo Sauaia, Ronaldo Koloszuk e Márcio Takata

 

Muito se engana quem acha que ESG (Environmental, Social and Governance) é mais um modismo de mercado com data de validade, ou algo de pouco impacto. Os olhos atentos e cada vez mais exigentes de consumidores, empreendedores, investidores e mercados em relação aos cuidados com o meio ambiente, com os aspectos sociais e com o aperfeiçoamento da governança empresarial vêm provocando profundas transformações na forma de ser fazer negócios ao redor do mundo.

A imagem e reputação de uma corporação, a transparência nos negócios, a inclusão de práticas sustentáveis e os cuidados junto aos colaboradores e clientes deixaram, há tempos, de ser fatores meramente subjetivos da operação das empresas. Pelo contrário: se tornaram aspectos mensuráveis e que influenciam, diretamente, a atratividade de empresas no índice na bolsa de valores, representando um valioso diferencial no mercado e atraindo a atenção de investidores atentos às estratégias e tendências de futuro.

Os efeitos cada vez mais presentes das mudanças climáticas começam a reformular a mentalidade no setor de finanças, em escala global. A S&P Global sustenta que um reenquadramento da forma como os mercados financeiros consideram ações de impacto positivo, em conjunto com medições financeiras tradicionais, é necessário para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030. Por sua vez, o mercado financeiro brasileiro, antenado com a tendência de que ESG é parte do “novo normal” das análises de investimento, já apresenta gestoras com produtos ESG.

Ao espalhar-se pelo planeta, o Covid-19 afundou economias e países em recessão, em níveis inéditos na história mundial recente. Como reflexo imediato da maior consciência sobre os impactos de questões globais à economia, os desafios socioambientais e de governança assumiram novos patamares. Os fundos ESGs continuam a ganhar cada vez mais investidores e ativos, mesmo durante a pandemia: em 6 de abril, o índice S&P 500 ESG superou o S&P 500 em 2,47%.

Neste cenário, a pandemia acabou por destacar ainda mais a resiliência das fontes renováveis e limpas de geração de energia, as únicas que continuaram em expansão, mesmo durante os conturbados e assustadores primeiros meses de infecção generalizada. As renováveis chegaram a ser apontadas, inclusive, como investimentos inteligentes e uma das melhores apólices de seguro contra pandemias globais, segundo o relatório Global Trends in Renewable Energy Investment 2020 da PNUMA/ BNEF.

Em meio a este contexto, o mundo tem uma oportunidade única de acelerar seu desenvolvimento sustentável, colocando as energias renováveis como um dos eixos dos planos de recuperação econômica pós- Covid-19. Em relação aos critérios de ESG, a energia solar ganha relevância nos pilares econômico, social e de sustentabilidade, por ser uma fonte renovável, competitiva, silenciosa, de baixa manutenção e que não emite poluentes durante a sua operação.

No mundo, a fonte solar fotovoltaica apresenta o maior crescimento dentre as renováveis, tendo liderado o setor elétrico global em novas usinas de geração de energia elétrica adicionadas em 2019. Em solo brasileiro, é um investimento especialmente interessante, já que nosso país possui um dos melhores recursos solares do planeta, além de vastas áreas territoriais e muitos telhados e fachadas de edificações, disponíveis para receber a tecnologia. Com todo este potencial, a fonte solar fotovoltaica segue em franco crescimento no país e já supera 6,4 GW em potência instalada operacional, tendo crescido mais de 40% apenas em 2020, mesmo diante da pandemia.

Além da sustentabilidade, a energia solar também se alinha ao príncipio social de ESG, com papel fundamental na estratégia de retomada econômica por sua reconhecida capacidade de gerar muitos empregos locais e de qualidade. A solar já é responsável por um terço de todos os empregos renováveis do mundo, que ultrapassaram recentemente a marca de 11 milhões no total.

Desde 2012, o setor solar fotovoltaico brasileiro já gerou mais de 190 mil empregos, segundo estimativas da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Em 2020, mesmo em meio a pandemia, já foram criados mais de 56 mil empregos em território nacional, atraindo R$ 8,6 bilhões em novos investimentos privados e proporcionando uma arrecadação de mais de R$ 2,3 bilhões em tributos aos cofres públicos.

Portanto, a energia solar terá função cada vez mais estratégica para o atingimento das metas de desenvolvimento econômico do nosso País, inclusive no período pós-pandemia, já que se trata da fonte renovável que mais gera empregos no mundo. A fonte será parte da solução, tanto para a nossa sociedade, quanto para o meio ambiente.

Tanto a energia solar quanto o ESG vieram para ficar. Por isso, é tempo de colocar em prática seus princípios transformadores, alinhando-os às estratégias de negócios. Com isso, clientes, empresários, financiadores e governos poderão contribuir, de forma relevante, para um futuro pautado no desenvolvimento cada vez mais consciente, humano, responsável e sustentável das sociedades, no curto, médio e longo prazos.

 


Rodrigo Sauaia é presidente executivo da Absolar.

Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da Absolar.

Márcio Takata é fundador da consultoria Greener.

Atualizado em 29 de julho de 2021 por Simone Vaiser

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