Vamos vencer nossas paixões?

As soluções que precisamos para a reconstrução do País requerem naturalmente uma série de ações estratégicas, legais, econômicas, administrativas, de infraestrutura e outras tantas. Como por premissa de Estado vivemos em um ambiente democrático, as soluções a serem tomadas devem atender o interesse
de todos, aliás, pareceria óbvio. Óbvio se não assistíssemos em nossas ruas e gabinetes verdadeiras batalhas polarizadas. As soluções merecem dos gestores públicos, não só as exaustivas análises
técnicas ou mesmo as boas consultas à sociedade, como as que estamos assistindo no caso da revisão da Resolução 482, que define o norte para a geração distribuída.

O equilíbrio deve ser o objetivo final, e com paixão antes da razão, este não será atingido. Está claro que o uso da rede da distribuidora por aqueles que geram energia em seus quintais ou telhados deve ser remunerado, afinal de contas, a distribuidora se encarrega de distribuir o próprio excesso da energia
gerada e continua a abastecer na falta de geração; caso contrário, não precisaria se estar conectado! Se a remuneração da distribuidora será 1, 10 ou 100 é uma questão de quantificação baseado nos modelos disponíveis e aplicados, que poderiam até mesmo fornecer um desconto aos geradores como compensação pelo investimento.

O que não se pode admitir é assistir a opinião pública deturpar os fatos como se o sol estivesse sendo taxado pela ANEEL e distribuidoras. Falando na ANEEL, outro ponto de interesse é o programa de Eficiência Energética, cuja gestão está a cargo das mesmas distribuidoras de energia. Seria muito bom que se atentasse pela uniformidade dos conceitos, enquanto algumas distribuidoras se esmeram no aperfeiçoamento dos modelos, outras se “autocontratam” para os projetos. “Pode isso, Arnaldo?” – chama o VAR.

No contexto do programa de eficiência energética, a ABESCO, que congrega empresas interessadas, muda de diretoria agora no final do ano. Que venham boas mudanças e boas ideias, boa sorte e muita competência aos que entram e àqueles que permanecem. O cabo de guerra continua sendo uma boa prática esportiva; se aplicado no mundo corporativo, levará a injustiças que algum dia serão cobradas. As paixões são boas para os nossos estádios (aliás, alguns lindos construídos com a farra do dinheiro público e com boa dose de corrupção). Vamos em frente com a boa técnica norteando as nossas vidas.

Atualizado em 18 de agosto de 2021 por Maria Elisa Vaiser

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