Ventos do futuro para um mercado mais livre

Podemos considerar que, na história da energia eólicabrasileira, o ano de 2019 é um
ponto de inflexão. Comemoramos 10 anos do primeiro leilão exclusivo para a fonte eólica e passamos de cerca de 600MW para 15,4GW de capacidade instalada de energia eólica na última década.

Já são mais de 620 parques eólicos, mais de 7.600 aerogeradores com os nossos bons ventos gerando uma energia que, em dias recordes, já chega a abastecer mais de 80% do Nordeste e 17% de todo o Brasil. Esse crescimento pode ser explicado por um modelo de leilões competitivos altamente eficiente, que serviu de inspiração para vários outros países; por uma cadeia produtiva que produz cerca de 80% de
um aerogerador no Brasil e pelo fato de termos um dos melhores ventos do mundo para produção de energia eólica.

Os próximos 10 anos serão também de crescimento da eólica, nossos bons ventos seguirão firmes e fortes e nossa cadeia produtiva continuará eficiente, mas teremos muitas mudanças nas formas de contratação que podem fazer deste próximo período algo completamente diferente. Em primeiro lugar, estamos nos movimentando, no Brasil, para um modelo em que o mercado livre (ACL) está em forte expansão.

No momento, o Ministério de Minas e Energia está discutindo novas políticas, no âmbito da “Modernização do Setor Elétrico”. A função objetiva dessa modernização será inserir mais renováveis na matriz energética; dar mais liberdade de escolha para o consumidor e adotar novas soluções tecnológicas. E todas essas questões serão contempladas tendo a abertura do mercado como palco.

Os próximos 10 anos serão de mais liberdade de mercado, o que também traz inseguranças e desafios, como a chegada dos preços-horários, por exemplo. Para as eólicas, no entanto, o ACL já está se expandindo há alguns anos. Em 2018, pela primeira vez, vendemos mais no ACL do que mercado regulado (ACR): registramos 1,25GW vendidos em leilões e mais de 2GW no mercado livre.

Em 2019, a situação se repete, com 1,13GW viabilizados no ACR e a estimativa de mais de 2GW no
ACL. As eólicas estão, portanto, muito bem posicionadas para aproveitar as oportunidades que certamente aparecerão com a “Modernização do Setor Elétrico”. Como disse, os próximos 10 anos serão de um mercado mais livre e esta é uma ótima notícia para os ventos brasileiros. Acredito que, com a recuperação da economia brasileira, poderemos ver a demanda no mercado regulado voltar a ser maior, mas isso ainda tende a demorar de dois a três anos.

O ponto positivo é que, neste intervalo, a implementação do novo modelo do setor elétrico fortalecerá cada vez mais o mercado livre. E os bons ventos brasileiros estão aproveitando com toda força essa tendência desde agora. E, por meio de parques híbridos, baterias e novos modelos de projetos que mitigam a curva de variabilidade da fonte eólica, poderemos, certamente, inserir cada vez mais fontes variáveis na matriz elétrica com inegável segurança para o sistema.

Como o Sistema Brasileiro de Transmissão é todo interligado, a inserção de mais renováveis na matriz é algo que pode acontecer até mais rápido, especialmente considerando que o Governo já tem tomado
medidas para ampliar ainda mais a transmissão. Um outro ponto deste futuro que já está acontecendo
é o preço-horário, que tem tido uma grande atenção por parte do setor, já que significará mudanças importantes no negócio e é imprescindível, estarmos todos preparados.

Por isso, nós criamos um grupo de trabalho para avaliar os impactos do preço horário no negócio da eólica. Nossa primeira reunião aconteceu no dia 3 de março, com cerca de 80 presentes, e participação do
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que fizeram apresentações técnicas. O objetivo da ABEEólica ao criar esse GT PLD Horário é para que possamos participar de todas as discussões sobre o tema e entender o impacto desse novo modelo de preço no setor eólico.

O nosso objetivo não é atuar para combater a chegada do PLD horário, mas, sim, para nos preparar para esse novo cenário. Os nossos bons ventos seguirão soprando forte e gerando energia que beneficia a sociedade; nossa parte é trabalhar para aproveitálos de forma sustentável e em linha com as mudanças que o futuro já começa a nos trazer.

Atualizado em 17 de agosto de 2021 por Maria Elisa Vaiser

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